domingo, junho 28, 2009

Michael Jackson Rest in Peace




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Na quinta-feira, dia 25 de Junho pelas 20h (hora portuguesa) morre um ícone, uma lenda ex-viva, o Rei da pop, Michael Jackson. Vítima de uma paragem cardíaca, provavelmente devido a um cocktail medicamentoso, as quais ele tomava por razões desconhecidas: há associações a um médico duvidoso, um Dr. Thom Thom que lhe receitava cocktails de 7 medicamentos com 2 analgésicos, segundo a ex-ama. Contudo, foi o seu verdadeiro médico que o viu nos seus últimos momentos e não parece ter tido culpa no sucedido.

Enfim, suspeitas, conspiração, talvez frivolidades, desconhecido e incerto: Michael Jackson morre como viveu a sua vida adulta, na obscuridade esotérica e incompreensão.

Para falar de MJ é preciso diferenciar o homem da obra, o que o torna à partida uma excepção. Mas não vou aqui fazer uma retrospectiva da sua vida, a qual mesmo findando agora aos 50 anos, já fez correr rios de tinta, horas de puro prazer auditivo, assim como movimentos de dança.

Michael é vedeta à 39 anos. Começou a sua carreira aos 5 anos onde liderou com os seus irmãos, formando os Jackson Five, um grupo infantil fabricado nos anos 70 que tinha tanto fãs brancos como negros, algo pouco usual na altura. Com eles gravou 4 álbuns desde os seus 11 anos.


Mas foi com a carreira a solo iniciada em 1979 com a mega-produção de Quincy Jones que MJ disparou rumo às estrelas. O álbum era o
Off the Wall e foi um hino ao género Disco assim como jazz pelos altos valores de produção, mas acima de tudo um pop musculado, a surgir como uma espécie de cereja no topo do Disco, dado que os anos 80 acabaram por pôr esta música na gaveta (agora já devidamente restaurada e polida, no chamado nu-disco).










Logo desde o início, do alto dos seus 21 anos, trauteou e escreveu Don't Stop 'till You Get Enough, aquela que para mim é uma das suas melhores músicas e que lhe valeu um Grammy. A voz dele ainda não era perfeita, mas já tinha uma expressividade e alcance excelentes. Voz de menino, que nunca perdeu, até agora...

Precisamente em 1979, Michael parte o nariz numa complexa rotina de dança e é submetido a uma rinoplastia que resultou em dificuldades respiratórias, problema que o afligiu desde então e que, aparentemente, nenhuma das inúmeras intervenções cirúrgicas que se seguiram não solucionaram, afectando a sua carreira. Não sei até que ponto os seus complexos quanto à sua aparência após a sua primeira cirurgia não terão despoletado as variadas idas à faca.

Contudo, com problemas respiratórios ou não, em 1982 Michael lança
Thriller, o álbum mais vendido de todos os tempos. É difícil superar algo assim, por isso vou apenas cimentar este conceito com alguns números:



  • 109 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, sendo que 5 milhões destas foram nos últimos 5 anos
  • Sete das suas nove canções saíram como single e entraram no top
  • Parte do seu sucesso deveu-se ao investimento em videoclips, em que o de Thriller, um video de 13 minutos, marcou o primeiro video de um negro na MTV, tendo também os seus vídeos de Billie Jean e Beat it o molde para a produção conceptualizada dos videoclips daí em diante
  • Compôs 4 das músicas
  • Teve 37 semanas no top norte-americano
  • Teve 4 anos a habitar os tops europeus

Sei lá, depois seguiu-se Bad, Dangerous, a Black and white, Man in the Mirror, Smooth Criminal e tantas, tantas outras...Embora muito bons, excelentes músicas, como álbum o seu legado tinha atingido o expoente máximo.

Eu orgulho-me de ter nascido no ano em que o MJ fez o moonwalk pela primeira vez e
Billie Jean nos invadiu o imaginário com um sujeito de pé de gesso brilhante, casaco preto cintilante, luva branca também brilhante a planar enquanto andava. Um artista completo, com músicas ritmadas e dançáveis, mas com conteúdo, por exemplo Billie Jean é sobre um fã obsessivo que alega que é pai de um filho dela (billie Jean). Estranho, mas a forma acaba por camuflar o conteúdo. E o frenesim inabalável de Wanna be startin' somethin' é sobre a pressão dos media. Nota-se já em tenra idade a pressão dos media sobre ele.

O Michael Jackson trouxe a dança para o sexo masculino de certa forma, assim como para a comunidade negra e porque não também aos caucasianos? Mostrou-nos o impacto de coreografia de dança em grupo, da cinefilia associada a música, mostrou que um artista pode cantar e dançar em alto nível.

Michael é um ícone porque é único e projectou a sua identidade irreverente em todos nós, mesmo que não gostássemos das roupas militares, dos corpetes, das meias brancas, do sapatinho de baptizado, do complexo peter pan, da voz, sei lá, ele é um homem de espéctáculo, um Showman no melhor sentido da palavra.
Ele reinventou a música à sua imagem, à sua ambição. Há a pop do MJ, rei da pop e há o resto da música pop, não pode ser comparada. Todo o conceito de boysband e girlsband veio deste one-man e certamente que as Britneys e Beyoncés tiveram muito caminho desbravado pelo Michael Jackson.

Lembro-me quando os meus pais disseram que iam ver o Michael Jackson a Alvalade em 1992, tinha eu 9 anos, e portanto não me levaram. Era muito novo para ficar chateado por não ir a um concerto, mas 1 ou 2 anos depois já ouvia a música dele e sempre pensei que vê-lo ao vivo seria o derradeiro espectáculo, história para os netos, motivo de escrever um livro, sei lá...e agora sinto que uma parte de mim decaíu para um nível de existência imperceptível, pois a imagem do MJ numa criança é muito forte. É difícil não verter uma lágrima por alguém cuja expressão, quer musical quer visual, nos leva automaticamente ao rejúbilo sob a forma de canções, de movimentos, de gemidos extasiados e danças incomparáveis e indeléveis.

Por tudo o que criaste, inevitavelmente por tudo o que tu és, tens garantido um lugar na posteridade e não serás esquecido. A prova do tempo está dada, o século muda, mas o sublime não envelhece, não se torna vinagre. Há música que nos rejuvenesce, e a tua é uma delas.

Não quero saber da vida privada do MJ, das excentricidades, suspeitas fundadas ou infundadas, mas tenho pena que a sua Neverland não seja mesmo a do Peter Pan, pois assim não teríamos de te ver partir.

Vai em paz, que a Obra transcende o Homem.

sábado, julho 12, 2008

A Lei de Dredd?

Saludações meus caros.

Neste Post vou-me pronunciar sobre algo interessante, sei lá, as regras do refeitório do International Hall, a residência onde me encontro até 5 de Agosto em Londres.
Eu sei, parece deveras (des)interessante, mas já vão ver ao que eu me refiro... É que a minha estadia aqui inclui pequeno-almoço e jantar em dias úteis e pequeno-almoço, almoço e jantar aos fins de semana, mas não sem um "pequeníssimo" conjunto de regras.

Vamos então ao regulamento (resumido, senão não teria impressões digitais no fim deste post...)

1. Só se pode levar 2 líquidos (exceptuando água fria), ou seja, sopa e uma bebida (coca-cola, fanta ou sprite daquelas torneiras, sumo de máquina) ou água QUENTE para um chá - fria é gratuito; isto exceptuando ao almoço do fim de semana, em que só se pode levar uma bebida, mesmo que não se coma sopa e água quente é contabilizada, porque se leva o chá...

2. Pode-se pedir um prato quente, normalmente com as opções de frango, peixe frito, alguma massa com vegetais ou massa com carne picada, até aqui tudo bem;

3. Com o prato quente temos a opção de pedir 3 acompanhamentos quentes (cenoura cozida, batatas fritas, feijão verde, vai variando) e não levamos salada, ou então pedimos 1 ou 2 quentes e uma escolha de acompanhamentos de salada, como lentilhas, tomate, alface, cenoura;

4. Nas sobremesas só podemos escolher fruta, bolo ou panquecas, ou um iogurte (eu como não gosto de escolher, levo sempre uma maçã no bolso e depois escolho outro; já pensei em pôr uma banana no bolso, mas depois a black mamma da registadora ainda me começava a fazer olhinhos e então...fico-me pela maçã);

5. Isto tudo é dentro do esquema sopa, segundo com acompanhamentos, bebida e sobremesa; Mas se não se quiser segundo ou acompanhamentos pode-se levar mais uma bebida, ou mais uma sobremesa etc

Ok, uff, estou estafado. Agora podem imaginar uma pessoa chegar ali e não saber as regras (obviamente) e quando se chega à registadora ser bombardeado constantemente com "cardholders can't take 2 beverages when asking for soup" ou "are you going to pay for that?"... Eles dizem que fazem isto porque as pessoas abusavam do que levavam e depois havia desperdício, mas chegarem ao ponto de instituírem um totalitarismo alimentar com guidelines deste tipo...enfim.

O mais interessante é que cada empregado (quase todos brasileiros) tem a sua versão das regras, alguns deixam levar mais e outros cumprem mesmo as regras, então quando se tem mesmo muita fome convém ver quem está na registadora (?!).

Agora o pequeno-almoço (pensavam que eu tinha acabado? Isto só melhora...)

1. Na comida tem que se escolher entre frios e quentes, ou seja, ou se vai para cereais com leite frio (apenas frio, eles cá não usam leite quente) que leva a um caminho tortuoso de opções que falarei adiante, ou se escolhe aquele pequeno-almoço inglês com feijão, ovo cozido (bem bom) e salsicha;

2. Pode-se beber uma bebida quente com qualquer opção que se tome, chá ou café com ou sem leite frio;

3. Pode-se comer um iogurte ou fruta tal como ao jantar (mais uma vez opto por não escolher...);

4. Agora, quem escolhe os cereais (que é o meu caso, porque os feijões dão-me fineza de fezes, e não digo fineza no sentido glamouroso da palavra...) tem que optar entre comer um croissant ou pão de forma que podemos torrar...

E chega, agora é que chega mesmo. Por outras palavras, não posso comer um ovo cozido com umas torradas e cereais, nem uma salsicha e feijão com um croissant...enfim, combinações é algo que não faz sentido para esta gente. FIGHT THE POWER!!

E mais uma vez: saber as regras é uma tarefa morosa e trabalhosa :P

Desculpem a seca, mas parece-me que isto teria que ser documentado, não concordam?
Bom apetite

quinta-feira, maio 22, 2008

Once upon a time in London...





Pois é, cá estou em Londres.


Cheguei numa sexta-feira e logo no sábado eu e a Rita (que também veio em ERASMUS do ISCSEM) fomos conhecer a nossa zona, que tem como estação de metro mais próxima Russel Square (à esquerda).




Mal nós mal sabíamos o que nos esperava, quando subiamos de Russel Square para Southampton Row: uma manifestação contra a Igreja de Cientologia. Segundo os protestantes, os ensinamemtos das suas crenças são extremeamente extorcionistas, é tudo pago. E quem abandona ou diz mal de Cientologia é perseguido e processado por calúnia em tribunal e por isso este pessoal apresentou-se neste sábado de máscara. E bem porreiras! Máscaras do filme "V for Vengeance".



Topem-me a pinta do gajo do Free Hugs.







bófia no controle











E depois, assim do nada, passa uma limousina Hummer e um Ferrari atrás.







Não acreditam? Então vejam lá












Depois passámos no campus da Universidade de Londres, só para espreitar e ver as vistas















E depois voltámos a Russel Square, que ainda tinhamos que arrumar as malas, e janta-se cedo por estas bandas...o janatr é das 17.30 às 19.30h!! Loucos



E regressámos à International Hall, que é a residência onde vou ficar nestes 3 meses.

Depois ponho mais fotos

ಲೊಂದ್ರೆಸ್ - ಪರ್ತೆ ೧ ೨ ೩ ೪

segunda-feira, abril 28, 2008

Aquele slogan da L'Oreal

"Se eu não gostar de mim, quem gostará?"

Já viram isto?
Não acham este o slogan mais deprimente que já viram?

"Se eu não gostar de mim, quem gostará?"

Epá, é que pensando agora de repente, sei lá, talvez PESSOAS QUE GOSTAM DE MIM, não sei...Tenho algumas, os meu pais, alguns amigos, já me cruzei com... transeuntes que me pareceram que gostaram de mim, quer dizer, pelo menos por uns momentos. Mas há pessoas caraças, não me lixem.

Mas a senhora/senhor não? Pois, já me sinto um pouco mal, isto é triste...deprime um pouco. Quer dizer, todos temos os nossos maus bocados, por vezes nem nos queremos enfentar ao espelho...pois, mas aí temos mesmo que recorrer AOS QUE GOSTAM DE NÓS!

Desculpem, não aguentei. Estava sufocado.
A sério, tem que haver alguém, minha(meu) senhora/nhor.
É demasiado entristecedor, a sério.


Mas no entanto, nos anúncios, surgem
Bem...
Mulheres bem sucedidas aparentemente, modelos e actrizes
Consta que até ganharam uma boa maquia só com esta publicidade
Certamente que haverá gente que gosta delas
Pelo menos da Claudia Schiffer eu sempre gostei muito
Já desde pequenino...
...É verdade.



P.S: Gostaria mais de:
Se ninguém gostar de mim, quem gostará?
Isso é poesia, é profundo, é tão absurdo que até dá que pensar.
Agora arranjar um produto em que isto faça sentido é que pode ser complexo...

P.S. 2: Escrevam este slogan (não é o meu, o outro, o original) com aspas e tudo no google e vejam o que companheiros bloguistas escreveram sobre esta temática e divirtam-se. Já agora, se lerem algum "altamente" enviem-no!

P.S.3: Epá e arranjem-me uma imagem da L'oreal com o raio do slogan que eu não encontro. COmpunha isto um bocadinho, e se for com a Cláudia Schiffer até vos compro um gelado!

Aqui está!! Achei...não é grande espingarda, mas prova a minha tese:

E aquelas letras são o slogan em alemão...se tiverem dúvidas vao confirmar, ora!!

Palavras Juntas


Sonhar querer ter poder viver
Nasce cresce aprende vive procura escolhe Vive
Apercebe-se pondera se entrega-se define-se
Transforma-se? Ou… é?


O que por dentro nos rodeia é o nosso íntimo
Nada está do avesso se te auto esclareces de tudo
Mas volta e meia até o escuro parece claro
Pode até ser tudo cinzento


Não somos o que tocamos
Mas o que nos toca vive connosco
Em nós
No lugar do farol
Que mesmo através de um denso breu
Brilha perdura atravessa
Faz da noite dia
Até os olhos brilham por vezes
Essas são as melhores


É simples, tudo deveria ser simples
O simples complica-se muito
Mas não deixa de ser simples
Porque o foi desde sempre
Engana por parecer simples
Mas é mesmo simples por vezes
Quer dizer…
Só não se torna simples
Quando a opção mais simples
Não era simples de tomar
O que vale é que por fim
Não passa de uma simples ocorrência
Nesta inicialmente simples vida
Não espera…
Simplesmente Vida


Porque é o que temos não é? Para fazermos coisas, para sermos coisas e claro, para sentirmos coisas. Há imensas coisas que podemos ter, ser, sentir… e querer, importa querer.

terça-feira, agosto 21, 2007

Festival Músicas do Mundo de Sines

Estar de férias é bestial. Acabei o último exame e juntei-me aos restantes membros da lista P (ver http://listadapinga.blogspot.com/ - porque Ser diferente é Ser igual aos outros) e à princesa guerreira e rumámos a Sines para o festival músicas do mundo - http://www.fmm.com.pt/. Atestámo-nos de provisões e fluidos refrescantes veraneantes, vulgo cerveja, e fizemo-nos à estrada.
Vamos lá então arranjar poiso no parque de campismo recomendado pelo Broncas, o qual nos foi confirmado que teria vagas até às 23h, mas qual não é o nosso espanto quando lá chegamos pela hora de jantar, e na recepção nos informam que está lotado…aliás lotadíssimo que é bem pior; Heitz…e agora? Acampamento selvagem à noite? Dormir no carro? Não dormir sequer? Nada! Valeu-nos o Nuno, que nos arranjou lugar na casa da irmã que trabalha em Sines. De repente de sem-abrigo a montar tenda no terraço de uma qualquer casa em terras sineenses foi uma cerveja de distância.
Melhor ainda é podermos ir a pé para o festival e após a proteína vitaminada de um belo cozido de atum, grão e sei lá mais o quê, assim o fizemos. Djemberia com fartura, churros, danças, freakalhada, a sede do PC a servir bifana…êxtase. Às 2.30 da manhã tocaram os LA ETRURIA CRIMINALE BANDA de Itália (imagem em baixo)…muito bom, daquelas audio-salganhadas para pular e bailar. Foi até de manhã…










Estafados da caminhada, chegamos a casa prontos para a caminha, prontos para a tendinha mas heitz! “ ’Tá um gajo na tua tenda ò Xanado” e estava mesmo: com os pés de fora calçados numas sandálias franciscanas. Eh diabo, “Mas quem és tu c@*§!” e depois de o (quase) acordar, o energúmeno lá se arrastou para o sofá lá dentro. “Sou o Alfabeto” foram as suas últimas palavras antes de apagar. “Mas o que é isto! Este gajo tem é que ir varanda abaixo” disse um Tibas qualquer, mas parece que o gajo era mesmo conhecido da irmã do Torién (não sei se é assim que se escreve) o Nuno (este também é cá uma peça…). No dia seguinte acorda tudo ressacado, uns por não dormirem (o Nuno ressona) outros porque são resmungões quando acordam (cof cof) e o alfabeto também acordou. “Então de onde é que és, Alfabeto?”, “O meu é nome é Nuno pá! Eu sou de todo o lado” “Posso beber do teu leite”, força…e o gajo bebe-me do pacote. Lá se foi a pasteurização. Que incongruência. Depois descobrimos que o alfabeto foi o gajo que andou a brincar com malabares e fogo lá em baixo ao pé da igreja e que é palhaço. Que personagem... O resto da manhã foi passada a boiar não literalmente, depois lá saímos da letargia acompanhada de cefaleias e batalha naval, que isto de acampar sem espetar umas espias não é nada. Então fomos para a ilha do pessegueiro.

Um descampado muito bem localizado ao pé da praia do pessegueiro, qual campo militar, a zona de tendas era a bela e quente vastidão de solo duro sem árvores, fantástico para acordar cedo com sauna incluída…dentro da tenda! Controle, zero! Até andámos a reinar com o sistema de fecho da barra de entrada…enfim, boiar de pé. Por uma razão qualquer levámos os carros lá para dentro. Ah! espera, era para pormos lona das obras a cobrir as tendas numa operação arquitectónica sem precedentes que consistia em colocar os carros nas extremidades das tendas e prender aí a lona. Resultados práticos: nada. “Vai tudo correr bem”, e o pior é que os carros não podiam entrar depois da meia-noite, só ás 7 da matina. Sem problemas dado que sábado era o fim do festival e a apoteose seria concerteza duradoira. Assim sendo, fomos para a praia boiar literalmente, 5 num swifer comercial (in)devidamente acondicionados e os restantes no carro do Broncas, o rei dos dardos sineense. Um Banho de algas (obrigado xanado) e a ocasional bejeca depois lá nos fomos aperaltar então para uma jantarada outra vez na casa da Raquel, irmã do Nuno (alfabeto!!!) e atestámo-nos mochilisticamente de fluidos refrescantes veraneantes que isto de ser estudante apela á contenção de custos, mas não de passar sede. E o Bitoke ainda sem tocar numa cerveja, ZERO! Eu sei que este conto já começa a parecer ficção…mas não meus caros, falo a verdade.
A noite até começou mal, pois aqui os jovens inexperientes do FMM não se lembraram de comprar bilhetes com antecedência, e dado que se tratava da sua derradeira noite de concertos, o inevitável aconteceu: bilhetes para os Gorgol Bordello no castelo estavam esgotados e as ruas estavam repletas de calças à Aladino, rastas e chinelo de couro num espreme-espreme descomunal…e nós sem bilhete para o cerne, para o crème de la crème da noite. Já conformados com a ideia de ver o concerto num dos inúmeros ecrãs gigantes espalhados por Sines (organização fantástica!) eu e o Mring (Manuel com 5 letras) lá fomos aliviando as mochilas do seu peso juntamente com o resto do pessoal, quando por acaso o Jaime que não é Jaime, é André dos piercings por todo o lado, amigo do xanado me vendeu o bilhete dele porque não lhe apetecia ir. Assim o Manel podia ir, “ah e tal, não vou, vendemos isso e ‘tá-se bem” bla bla, com Zecos Lecos (copyright Kapinha e o seu cabelo maravilha) e um par de costas de mão no lombo lá foi ao sítio e seguiu para o castelo ver os gypsy punks. Noutro golpe do acaso, um amigo da Xena (Sherah Sherah!) tinha um cartão de saída para voltar ao castelo…assim também eu podia ir ver os malucos do punk cigano, lindo!! Não sei antes ver o fogo-de-artifício e levar com fragmentos de detritos de cenas que me iam caindo em cima durante o espectáculo. E fui…e foi lindo…dancei por todo o lado, fui avançando para ver se encontrava o Manel num recinto com sei lá quantos milhares de pessoas…qual Wally, qual Manel, não encontrei ninguém, mas curti o ritmo contagiante do Eugene Hütz e a sua banda frenética, os Gorgol Bordello que até cantaram, vejam lá vocemessês, “Em cima, em cima, em cima, sempre assim! em baixo, em baixo, em baixo, sempre assim!”. Tão cedo não vou esquecer tamanho espectáculo, 5 estrelas do além por detrás de sol posto.



Ufa, vamos lá descansar um bocadinho a discutir assuntos mundanos, as políticas de saúde do Sócrates e o atentado à profissão, mas espera!! Vai começar Señor coconut and His Orchestra, no palco ao pé da praia!! Tra la ra, my love…CHA CHA CHA…

Mega banda de fatinho, pareciam acabadinhos de sair do casino, com dois xilofones em palco, instrumentos de sopro, mas depois eram covers de Sade (Smooth operatooooor!), The Doors (Riders on the storm) latino, o incontornável Michael Jackson (Beat it, Beat it!!) muita salsa, merengue, cha cha cha! À Xena só faltavam os véus e a mim o jeito para dançar, mas isso não deteve ninguém, nem aos pés de quem ia pisando.


Depois kusturicada, skazada, reggaezada…enfim, non-stop. Só sei que às 7 da manhã a marginal ainda estava cheia, nunca tinha visto nada assim…inolvidável.
A caminho do carro íamos levando uma presuntadas de uns pretos armados aos cucos que cometeram a indecência de chamar palhaço do c@*§ a um de nós, o que vale é que eram uns 3 ou 4 e quase do tamanho de armários, mas o Nuno não queria a sua dignidade ferida e foi para cima dos gajos!! MAS que é isto? Se não o puxássemos dali para fora ainda estávamos a contar os dentes do chão a esta hora…mas não se passou nada, ele só levou uma sapa ou duas. Enfim…vamos mas é para o parque.
Às 8 da manha entramos no parque, já com uma brasa um pouco agreste, mas com o cabeção e fasay (= fadiga) que já levávamos em cima adormecer não foi problema…o pior foi que às 10 da manha dentro de uma tenda ao sol plantada no dia mais quente do ano ou perto disso, em pleno Alentejo já boiávamos no nosso próprio suor. Epá doeu, aquilo já foi sofrer mas gostei particularmente da ironia que se seguiu, que foi eu querer ir tomar um banho aos chuveiros para refrescar e só ter água quente!! Eh diabo, saíste das profundezas do inferno para me atormentar ou quê? Que é isto?? Tive água fresca durante 1,5 segundos e depois parecia lava a cair-me em cima…Em seguida, vai de arrumar as tendas, o festival já acabou por isso nada nos impede de ir dar um pezinho a Vila Nova de Mil Fontes, isto por volta do meio-dia. À chapa do sol!! Viva o ar condicionado. E não é que à terceira acertámos…um parque de campismo brutal, com árvores, com sombra. Lá acampámos no alvéolo 125 e ali assim, repousámos, pelo menos até descobrirmos que a imperial no café/restaurante do parque era a 55 cêntimos…e pronto, o resto é história.
Daqui partiu uma comitiva para o sudoeste onde parece que Manu Chao avassalou. Um grande bem haja a este meus amigos e uma especial dedicatória à Xena, que isto de aturar 6 gajos, 5 deles bêbados dia e noite tem o seu quê de incongruência.


domingo, dezembro 10, 2006

Visita a Barcelona

Voilá, agora temos um blogg sobre ERASMUS em Valência

Estou em Barcelona (isto começa coerente nao), já agora, em Espanha serve só para o "ñ" por isso nao me difameis o vocabulário. Vim passar 5 dias a Barcelona com uns amigos portugueses, o Manuel o Ludovic a Catia e o Bernardo. Viemos de comboio, onde quase nao apanhavamos o comboio...chegámos muito em cima da hora porque aqui o je tinha que tomar os seus cereais matinais (6.20h). O que se passou é que na estaçao de Valencia fazem detecçao por raio X e demorámos mais que o esperado e quase perdiamos o comboio. O "pica" ia mandar arrancar o comboio com nos a 10 metros da carruagem, cabrónes!!

Mas chegámos bem aqui ao Barcelona Mar Hostel, a chuver, a um backpackers youth hostel para nos hospedarmos nos os 5 com mais 5 alemaes num quarto com 10 camas em beliches metalizados. Digo-vos, aquilo parecia um submarino pelo calor e os estalos e pancadas metalicas...pareciam rebites e cargas de profundidade em cima de mim hehehe que cena

Mas pronto, esticamos os dias até ao máximo com a ida à catedral, museu Dali, bairro gotico etc no centro historico logo para começar e chegando ao quarto depois de acordar às 5 da matina, qualquer receptáculo nocturna que surja é um mimo, mesmo o interior de um submarino durante a segunda guerra.

No dia seguinte acordámos cedo e motivados por a chuva ter terminado e vimos quase metade de barcelona, bem esteja a exagerar, mas foi um bom bocado: sagrada familia, parc güell etc(= so fizemos isto, mas tivemos a andar tanto para o parc guëll, obra do Gaudi, que aquilo era tao inclinado que até instalaram escadas rolantes ao ar livre, na rua, para subir até ao monte onde ele estava...mas valeu a pena, a vista é formidável e o passeio verdejante), á noite vi o benfica num pub perto do hostel, daqueles com foster's a 5 euros e 2 ecras a dár o Manchester Utd - Benfica e o Arsenal - Porto ao lado de um americano que agora vive em Bueno Aires e que está em "negócios" em Barcelona, a ver o jogo do Manchester, tal como eu, e que nao gosta dos EUA e que adora futebol. Interessante para começar a noite, mas apenas vai melhorar.

Saímos as 2h do hostel depois de uma refeiçao bem regada a vinho e fomos em direcçao á discoteca Paloma para uma muito também agradavelmente merecida noitada no espaço nocturno mais antigo de BArcelona num teatro enormeeee convertio em discoteca...muito bom, uma mistura de rock com house meio intercalados e um espaço ainda com o palco, e com travestis a dançar...que bizarro, mas pelos vistos é notmal por aqui hehe.

(a continuar...)

quinta-feira, junho 29, 2006

Psicadelismo

A saúde é tema total, nele se ramificam as questões da condição humana, esse eterno desconhecido. A morte já foi falada anteriormente, por isso só nos resta a vida. Nós queremos vida, por isso procuramos por todos os meios mantê-la para usufruir dela.
Descobrimos plantas, fungos, minerais…moléculas, químicos mesmo que de origem biológica, e manipulamo-nos à procura da sua mais-valia terapêutica. É impressionante o que a nossa tenacidade nos levou a evoluir, a buscar.

Nisto se enquadram as moléculas que vingaram e as que não foram facilmente rotuláveis, pois o seu efeito terapêutico era questionável. Por exemplo, a heroína…essa que foi inicialmente descoberta por investigadores de uma empresa multinacional farmacêutica como meio de aumentar o endurance de soldados americanos.

Entre outros psicotrópicos, surge o LSD25 (abreviação de dietilamida do ácido lisérgico) é uma substância que lembra outras substâncias presentes em um cogumelo, a Claviceps purpúrea.
Esta molécula foi um produto sintetizado laboratorialmente a partir deste fungo e é simplesmente potentíssima para o ser humano. O LSD25 é tão potente que pequeníssimas doses, de 20 a 50 microgramas já produzem alterações mentais. O que se descobriu foi uma droga muito poderosa que induz alucinações sensoriais, que centram o consumidor no “eu” intensamente. Induz uma viagem (trip) à psique interior, a encontrar respostas a perguntas nunca feitas e a vivenciar através dos sentidos como nunca anteriormente feito. O seu efeito inicia-se 30 a 90 minutos após a toma e dura até 6 horas…

Observando de fora tenho a percepção que nem consigo imaginar a sensação que possa causar, mas permite-me conjecturar sobre o papel que isto possa ter sobre a condição humana, essa sacana. Procuramos respostas por todos os meios possíveis não é verdade?
Muitos já se questionaram que se a resposta não está lá fora, pode estar cá dentro e olhando objectivamente, à primeira vista, LSD até não é mau pensado. Senão vejamos: causa tolerância mas esta termina quando se deixa de consumir, não tem efeitos secundários físicos de grande importância, talvez alguma fadiga com consumo crónico. Claro que altera a personalidade, pois está-se centrado no “eu” e num estado desinestesia. É um conceito fantástico, pois provoca sensações como ouvir uma cor, ver um som, ou seja, as sensações auditivas traduzem-se em imagens e as imagens em sons.

Mas há o reverso da medalha que é o desconhecido, do mesmo modo que há viagens psicadélicas belas e sensacionais, também há a hipótese de uma demoníaca, depressiva, sufocante, durante perto de 6 horas. Embora através dos anos certos condicionalismos foram documentados, há sempre esse risco. Outro risco, e talvez o pior, seja o da dependência psicológica permanente: as experiências vivenciadas revelaram-se tão sublimes, que o desejo de as repetir se torna incontornável.

E é isto, no essencial é isto, a vida define-se por escolhas e consequências e acima de tudo gerir tudo isto. Trabalhar com o que se tem, mas gerir com o que é que se trabalha, este é o meu lema…se não o costumo dizer é porque é bastante longo e não me lembro dele muitas vezes.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Trechos de algo eternamente inacabado

Momento

Às vezes olho para o relógio,
quero sentir a tranquilidade
de saber o tempo
saber que ele não pára.
Criar o momento,
observando todos os objectos em redor,
estabelecer um padrão que não existe
porque é único e irrepetível

E por vezes olhar de soslaio
para o que acabei de observar,
procurar outra perspectiva, tentar identificar
um sentido, algo de palpável
que nunca lá parece estar;

Mas não vale a pena, porque
já passou.
nada interessa quando já é passado,
passará a ser apenas mais um artefacto de areia
na memória.
E à medida que o tempo passa,
o vento vai transformando-os
em dunas, em cinzas
em vestígios de algo imperceptível

Porque a estrada parece ser única
e tem apenas um sentido: em frente.
Os desvios surgem quando sem querer
olhamos para o lado, e
por apenas um instante,
fazemos um desvio.
Para a mente o imperceptível não existe
e assim, a estrada continua
em frente
em direcção ao horizonte,
ruma sempre ao horizonte.

_-_-_-_-_- / / -_-_-_-_-_-_-_

Nota: este a seguir é o meu preferido


Despertar

Penso e acordo
Penso no que estava a pensar
Estava a sonhar
que tinha um pensamento

Mas em que pensava durante
um sono?
Não me é definido,
não foi um pesadelo,
não foi um sonho.
Estaria acordado?

Não sei.
Penso mais um pouco...
...e acordo.
Que sonho foi este que tive?
Vou pensar...

P.S: estes textos são dedicados à Ana, cuja pressão me pôs a escrever outra vez.
O que não consegues pela desígnio fundamentado, conseguirás pela perseverança, caso contrário, pode-se sempre falar do tempo.

sábado, julho 09, 2005

Direito de Pensar

Um ser humano tem necessidades, tem ímpetos pessoais. Procura-se o melhor de nós mesmos, descobrir a nossa mente e reinventarmos a nossa maneira de pensar. Poderá não priveligiar o futuro, mas permite uma auto-aprendizagem que em tudo nos faz evoluir.

Mas que é feito do tempo?
Olha-se para trás e vê-se a Antiga Grécia, vê-se Platão a deambular a ensinar, a dialogar com os seus alunos, os seus súbditos. Ele acorda de manhã, passeia-se pelo prado de sandálias com a mão a contorcer a barbicha e a pensar…a teorizar. Depois confrateniza com os seus, debate, aprende. Naquele tempo tudo era simples, as uvas eram fartas…havia tempo.
Sendo o Homem tal figura de evolução, a sua necessidade de se auto-superar resultou em marcos históricos, em invenções que melhoraram a qualidade de vida dos que delas usufruíram.

Tudo o que é inventado tem como objectivo o retirar fardos às pessoas, a facilitarem a sua vida para que tenham tempo para fazerem outras coisas, para se reinventarem.
Mas sendo o Homem tal figura de evolução, esse tempo é absorvido pela tal busca de algo mais. Porque é que raio não se pára? O futuro pode esperar, porque queremos tudo e queremos já? Não mais parece haver tempo para parar.
Enquanto que naquele tempo (Antiga Grécia) as aulas era o puro debate argumentativo de ideias sob o solarengo pôr-do-sol, agora devido ao crescimento da população e a inventividade de todos estes anos levou a uma alteração de sistema de educação, no qual os conhecimentos são maioritariamente impostos pela figura mentora: o professor.

Não estou a criticar, apenas quero salientar a enorme discrepância de aprendizagem, pois actualmente é tal a parafenárlia de metas que foram cruzadas, de objectivos que foram atingidos que faz com o comum estudante não se deixe de sentir minimamente frustrado.
Pois é…tornamo-nos vítimas do nosso próprio sucesso. O nosso período escolar é passado a internalizarmos mais nomes que acções. Somos confrontados com os feitos de outros constantemente e tal deveria ser contrabalançado. O incentivo ao pensamento subjectivo, o ensinar a pensar tem de ser fundamental para que o peso dos antecedentes não nos espezinhe.
Independentemente de tudo isto, em que pé estamos? Quando as coisas eram simples, havia tempo para pensar, agora que tudo se fez para que nós tenhamos cada vez mais tempo: máquinas de lavar, cozinhar, transportar etc continuamos sem tempo para o que nos satisfazia nos primórdios: pensar por nós próprios, debater ideias, dialogar, raciocinar.

Mesmo sem querer, sinto-me mal quando deveria estar a estudar e estou a ter uma conversa filosófica com um amigo. Chego a dizer a mim mesmo “Que perda de tempo, podia estar a estudar”…ora eu não quero viver num mundo assim. Qual é a pressa? Porque sentimos que o que nos rodeia mais directamente nos ocupa o tempo inteiro? Sem espaço de manobra sou um recluso da minha própria vida.
Como se tudo isto não bastasse, entre as invenções, algumas fazem as pessoas crer que pensar por si só é trabalho e é escusado, pois a televisão entre outros meios entrega a informação directamente, por isso nem tal requer engenho para ser obtido. Embora de extrema comodidade, tal vai-se tornando um handicap, pois qualquer músculo se não for exercitado arrisca-se a atrofiar. E embora estudemos e obtenhamos os nossos diplomas, o caminho que a sociedade contemporânea nos leva é a de total especialização no qual o debate de ideias fora da área de especialização se torna medíocre pela tal falta de capacidade de pensamento subjectivo e interior.
Quando digo que gosto de filmes que me façam pensar é apenas juntar o útil ao agradável: qualidade de vida e exercitar a massa cinzenta…

Tudo o que digo é racionalização para o bem da nação, não queremos certamente ser uns meros escravos da nossa própria existência e com falta de imaginação, será concerteza isso que acontecerá.

quarta-feira, abril 27, 2005

Escondidos na colina

Sim, o branco inebria, ofusca e torna-se parte de nós.
Existem dois mundos que se conjugam e se tornam um e é o tempo que os define: a manhã e a noite. O lusco-fusco é o espaço mítico no qual a transição se processa.
Estou muito simplesmente a falar do acontecimentos aparentemente inexplicáveis que ocorreram em Pas de la Casa. Isto é um tema polémico, controverso e sobre o qual não há qualquer tipo de documentação fidedigna, embora seja algo que nos ultrapassa, que atravessa gerações a fio e cujas consequências são tão macabras como incorrigíveis.

Do que falo afinal? Dos cavalos carnívoros, ursos herbívoros, as inevitáveis prostitutas que nascem por esporulação entre outras monstruosidades que se encontram dia sim dia sim no offpiste, e algumas mesmo nas próprias pistas.

São temas abordados por entre os Gatos Fedorentos e o incomparável Dr. Vitominas ("Não aperta, não aperta!!"), primeiro timidamente, depois exaustivamente, durante as maratonas de Uno.
Por entre o intenso baralhar de cartas, os testemunhos vão surgindo e as peças vão encaixando.

Observam-se estranhos fenómenos na superfície branca, naqueles horizontes escondem-se muitos mistérios na penumbra. Os cavalos carnívoros possuem uma penugem que os permite esconderem-se que nem um camaleão por entre a vegetação e algumas sub-espécies do equus carnivurus camuflam-se também nos rochedos intercalados entre as pistas. As suas presas cheias de sangue são letais para os esquiadores inexperientes.
De noite repousam e preparam-se para o amanhecer. O seu faro detecta o som a vários metros graças a uma interligação dos sentidos o que os torna os seres mais endémicos da montanha.

São seres muito pacientes e muito particulares na sua demanda: esquiadores que caem perto dos limites das pistas são silenciosamente arrastados para a sua zona de camuflagem. Contudo, não são animais muito fortes e cansam-se facilmente devido aos cascos. Foi uma característica que não sofreu a evolução desejável dadas as condições do seu habitat, infelizmente para nós, o seu encéfalo desenvolveu-se imenso e por isso esse "casco de Aquiles" é compensado com massa cinzenta: são muito inteligentes.
Consequentemente, fazem acordos com as prostitutas que nascem por esporulação

O André ri-se malevolamente enquanto dá mais um "apanha 4" ao Miro...penso que já soma 34 cartas apanhadas à conta do André. As risadas prolongam-se que nem uma reacção em cadeia e as mãos do Miro bem se contorcem sobre o pescoço do André...mas é escusado.

As prostitutas que nascem por esporulação (PQNPE) são uma aberração da natureza que nasce em qualquer ponto da montanha, eclodindo de um esporo e atingindo o seu estado maduro, com as ligas pretas e meias rendadas poucas semanas após a esporulação. O que acontece é que os cavalos endémicos muitas vezes tropeçam desastradamente nos esporos e devido a isso, desde os primórdios que têm um acordo com as PQNPE, no qual elas agem como manobra de diversão aos esquiadores menos precavidos e fascinados pela frescura física destas prostitutas.

Já perto do fora de pista, no momento mais vulnerável, chegam os cavalos carnívoros endémicos e zás!! Ferram o esmalte e partilham as vísceras com as PQNPE. Elas gostam particularmente do baço devido ao sangue velho que por vezes ainda contém.

Este acordo remonta aos tempos em que as quedas fora de pista começaram a diminuir devido ao aumento do número de professores nas estâncias de esqui e para evitar a extinção, usou este estratagema para obter o sangue que tanto necessita.

Os olhos já comem as cartas do Uno de tanto sono que temos. As fugas a estas bestas durante todo o dia deixam-nos exaustos, mas no entanto uma estranha força leva-nos a baralhar e a distribuir as cartas ainda mais uma vez.

Mas perguntarão vocês certamente: e os snowboarders?? Será que o Tibas é um faccioso que é só ski, ski, ski e deixa inadvertidamente a malta da tábua de fora???
Não meus caros, o que sucede é que até os cavalos endémicos precisam de protecção, das criaturas mais imprevisíveis e rápidas da colina branca: os morcegos brancos fastidiosos.

Estes seres habitam em plena pista e nascem às centenas por dia, aliás, são eles a principal razão para que as máquinas alisam as pistas diariamente, para controlar a natalidade dos morcegos. Eles deitam-se na pista com as presas fincadas na neve a sentir as vibração do solo para poder atacar. O pormenor interessante é que só captam sons muito característicos que são da prancha de snowboard, que parece o som de um tubarão, ou seja, apenas detecta snowboarders experientes, por outro lado também detectam o som de cascos na neve.

O que sucede então?? É por esta razão que os snowboarders com experiência optam mais em andar fora de pista, de modo a evitar as presas assassinas dos morcegos brancos e os cavalos endémicos associaram-se aos ursos herbívoros, que vivem escondidos nas escarpas e não representam perigo por causa da sua alimentação vegetariana.
Os cavalos fornecem os esquis e apenas esquis aos ursos herbívoros que nascem por gemulação, para eles palitarem os dentes, pois a vegetação das montanhas é agreste e os castores demoníacos à muito que estão extindos em Andorra. Em troca, os ursos protegem os cavalos assassinos das presas dos morcegos brancos e assim o ecossistema vai sobrevivendo.
Apenas muito raramente os morcegos brancos, cavalos endémicos, prostitutas que nascem por esporulação e ursos herbívoros perturbam a ordem natural comendo-se uns aos outros quando Mercúrio passa por Vénus em noite de Lua cheia, o que apenas sucede de 150 em 150 anos.
Pelo meio disto tudo por vezes surgem os corvos assassinos cuja maior predilecção são os olhos. Estas aves não são preconceituosas e atacam tudo, incidindo maioritariamente em praticantes do sky nórdico pela sua fraca mobilidade. Adoram bicar as retinas e apenas aparecem durante a época baixa, de modo a passarem mais desapercebidos.

Já não dá mais...vai tudo dormir, porque a luta não pára e amanhã há novas pistas para desbravar. Espero que este texto vos sirva de guia numa visita à neve. Os mistérios continuarão na penumbra...o misticismo perdurará. Sejam amigos dos animais, mas olhem que as prostitutas...dizem que vale a pena, pelo menos os poucos que sobrevivem e vivem como eremitas o resto da vida.

--> Este documento é dedicado ao André “3º Reich”, Raquel “skystar” Paços, Ricardo “Miro” Casimiro, Catarina “Catxy” Saramago e João “Bitoke” Santos...que as férias de Pas de la casa se repitam por muitas vezes.

Abraço forte forte forte

sexta-feira, março 18, 2005

A montanha de neve

Desde à uns 6 anos que vou uma vez por ano à neve, principalmente a Andorra. Não há nada que se lhe compare, ao ponto de não trocar aquela semana por nada. Para variar um pouco, este ano são 2 semanas...para testar o enfastio.
A paisagem muda radicalmente, irrompem as montanhas e os últimos 100km que as circulam e trespassam. São os piores, mas os olhos e a música amenizam e até põe para segundo plano as intermináveis curvas. Aos poucos e poucos a neve vai surgindo nos cumes e o ocre vai sendo substituindo pelo inerte e ofuscante branco...estou a chegar.

O maior esforço é sempre no primeiro dia, quando se insere o pé, qual chispe rijo e olvidado. As botas de sky adormecidas à 1 ano demoram a despertar e os primeiros calores aparecem ainda antes de se chegar às pistas.
Ao colocar os esquis próximo do meio mecânico, a mente parece que já está nostálgica e a sensação de dejà vú é continua: a neve parece sempre a mesma, mesmo que a estância seja sempre diferente. Relembra-me a primeira vez que coloquei os esquis, numa pista tão pouco inclinada que já perto do fim se tinha que empurrar com os bastões para chegar a um dos dois puxa-rabos que aquelas duas pistas tinham.
Falo do Parador Canaro, a caminho de Pal vindo de Andorra la Velha. Eram uns apartamentos à beira da estrada, com uma esplanada e aquelas duas pistas com inclinação de 10 metros, que no mundo branco é uma anedota...uma das que me faz sempre rir antes de encaixar as botas nos esquis.
Nenhum outro desporto me faria acordar tão cedo de manhã, mesmo sem qualquer preparação física, os resultados são os mesmos. A tranquilidade, mesmo por entre os gritos de regojizo e risadas, é insuperável...o ar toca no som de uma maneira que faz parecer tudo música e o inspirar fundo ganha novo significado.

Não há retrocesso nem tão pouco estagnação, pelo contrário, há uma constante evolução da técnica e mais importante ainda, há uma renovação do prazer...sem o mínimo sinal de tédio. Até parece que estou a vender o meu peixe...congelado, mas a catarse é assim.
Mesmo assim, pensei que esquiando o dobro consecutivamente me iria deixar minimamente agastado, mas o que aconteceu foi que a cada dia que passava, a fluidez era maior, assim como o prazer. Contudo, também é de notar que o tempo melhorou de dia para dia, assim como o companheirismo.
Como estava num nível acima dos colegas com quem me dou mais, andei algum tempo sozinho. Ao princípio receei, mas pouco depois já estava a adorar e esse sentimento não se alterou, pois nunca me sentia isolado, pois é um desporto individual, ouvia a minha língua constantemente e a paisagem, o ar, a pureza...havia sempre algo para desfrutar, algo que só pode ser comparável às ondas do mar no crepúsculo. E o sibilar dos esquis a planar na neve, aquele som, aquela sinfonia...faltam-me os adjectivos.
No último dia, manhã cedo, senti que poderia ali ficar outro tanto tempo, então forcei mais durante o dia, para não ficar remoer. Saí das pistas de rastos, exausto, de nariz luzidio, mas acima de tudo...feliz.

Mal posso esperar pelo ano que vem...Pas de la casa não será inolvidável.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Reversed 96

Reversed 96 trata-se de um projecto musical iniciado por mim e uns amigos meus (Samuel Traquina, Hugo Rilhó entre outros) como meio de expressão do espontâneo. Começamos a tocar sem ensaio e gravamos... Algumas são más e enfadonhas, outras são apelativas, mas em todas há momentos que me fazem sorrir, por vezes sem saber porquê ao certo. Jam sessions.

Sem qualquer desejo de comercialismo, são apenas tardes bem passadas...
Vou aqui publicar a letra de uma dessas músicas sem título, a qual foi feita no momento da gravação, como de resto acontece sempre. Escolhi esta pela fluidez com que me saiu, e embora possa parecer enfadonha, na música tem um tom que a torna mais suportável

All the things real i feel

These kind of people
that live along these years
They don't get with each other
They fall away
Although, i can't disguise it

Lonesome years now
It's been a long time since that
Gold years, old school
Drfting away with the wall
with the mirror of you

It's not just the sex
it's lonesome years
Lonesome old years

Daisy's got a flower, but what?
You can't receive it
You can't plant it
It's doomed to die
You can put it on a vase
you can put it anywhere
but it will always die...

I hope it...can die away from me
Don't want to take the blame
wanna stay here

So i guess i have to
keep following you everywhere
The flower, the flower of life
The flower!
Loves me so
Loves me not

Jumping ahead of things
Looking along the path
And all that you've seen, that you've done
Are there
They seem gone
But they are there

History tells you a lot of things
They pass by you but they're written
everywhere
You're the resuld of those things

You're a thing

(...)
All you think is real in this world
May be, maybe not
It's electricity, electricity
Flowing all around you
Disturbing, discovering
all the mean bad things you do

Man, you've really opened the Pandora's box!
All the pledges...bad
evil all around the world
Opening, open, open
the Pandora's box
Pandora's box open, now what?
Pledge, pledge!
It's all just real stuff that pledge
Surrounding you

Can't do anything,
just have to live with it
like most things
efemorous life, likewise
The truth beneath
The light approach

And along the way
Look to me i'm over here
I'll be waiting
I'll be waiting alone for you now

The cafè is always open for you
Meet me there after dawn
when it's dark (...)
Bulimic point of view
in a stormy day
The shine is up in the sky
Covered with clouds
Creating a mist, a crazy fog...
surrounding your mind

Feel the landscape
It's here, it's there
It's everywhere
Can't run, can't hide
I'll be there
You'll be there
It's universal

(...)

Caught under delieverance
You never know where you are
until you get there
but you don't wanna get there
'cause when you get there, you're gone
So be away

Like in a forest, you don't see
through the bushes
through the ambiguitities of life
Plenitude is what we seek
but before that
we get old, and old, and old
we get older and wiser
wiser and weaker
physically damaged

I guess the mind always works
the mind is always there
feeling anxiety
towards the end
(...)
Don't go away
You can't hide, you can't hide
'cause i'll find you
wherever you are
at the cafè of life

seeking plenitude, knowledge
and all the rest
consuming it in my chest
Discovering all the wonderful things in life...
but it's over, it's over, it's over
but it's not over, until it's over...

P.S: A música tem 10 minutos...






domingo, janeiro 16, 2005

Soon this space will be too small

Diz-se que a única coisa certa na vida é a morte. Não é interessante que o que dá mais dá importância à vida seja o seu fim? Não quero entrar naquelas tretas transcendentais do pós-vida ou do pós-morte. Porquê?
Do que vale questionarmos sobre o que nunca saberemos, ou se o soubermos será na devida altura, não... o que me faz divagar é o que a morte influencia a vida. Os porquês são um mistério.

Sendo um homem inserido nos preâmbulos da Ciência, sei sem problemas justificar a existência da morte. É muito simples o encerrar de um ciclo que começou com a reprodução e como o planeta não aumenta, é natural que haja uma renovação de população. A Ciência será con certeza a melhor bananeira para encostarmos as nossas dúvidas existenciais...a lógica é exímia. Também há a razão biológica, ou seja, nenhum corpo sustenta vida eternamente, pois com o passar do tempo as estruturas que o constituem se fragilizam.
Surge o dilema: quando começa a fragilização? No útero há o desenvolvimento, nesta fase há crescimento, mas será que começa logo aqui o começo do fim...que deprimente. Certo é que é uma máquina milagrosa o nosso organismo, mas até o mais perfeito dos engenhos está sujeito às regras do universo, mas não vou por aí.

A verdade é que sendo a célula a unidade funcional de qualquer sistema vivo, será ela própria um sistema vivo, o primordial aliás. Existem outras definições, mas esta é a minha favorita: a definição diz que que um sistema vivo tem a capacidade de se manter num estado longe de equilibrio como meio de obter energia para crescer, se multiplicar usando ao seu dispor matérias fornecidas pelo ambiente.

Assim sendo, o passar do tempo faz a máquina perder traquejo e como há um encadeamento de reacções e processos que permitem a Vida, basta a mais pequena das coisas falhar para despoltar uma reacção em cadeia que, mais tarde ou mais cedo, resulta na morte.

Ou então vais a acender um cigarro, sem notar o carro descai um pouco, o suficiente para um camião te passar por cima...

Mas todos queremos mais, lá no fundo, não chega, por isso arranjam-se meios de encarar o inevitável. Uns optam por estar sempre preparados, tipo os estóicos. Tendo a morte como certa, porquê mexermo-nos, amar, pensar, quando no fundo, não passa de uma espera. Para eles, a vida é uma transição que termina com a morte. Ironicamente outros pensam que a morte é a transição para outra vida, que o fim não passa do começo.
Assim, muitos despojam-se de bens materiais e procuram algo em si mesmos e no que os rodeia. Não sabem o quê, mas sabem que está lá ou cá dentro. O problema é que a mente é traiçoeira, pois o que te define num momento pode ser contraditório no instante seguinte. É como um peixe tentar morder a própria cauda. É como achar que o que buscamos é o nosso próprio cu e não ter um espelho e necessitarmos de ver para crer. No fim, lá vês o teu cu e descobres que não era isso... parece ser perturbador.

No outro extremo está o carpe diem "aproveita o momento". A premissa do tempo ser curto, e por isso usufruir dele do melhor modo que acharmos possível.

Entre uma e outra há "n" prespectivas entre as quais, a clássica vida após a morte onde se supõe o paraíso, o nosso melhor sonho elevado à eternidade e plenitude, o inferno... Todas estas são meios de tornar a vida suportável, retirando-lhe o peso da forte possibilidade de ser a única e daí, mais relaxadamente, retirar mais prazer dela.

Chegou o momento da minha prespectiva favorita, que é tão plausível como qualquer outra.
O início é e será sempre a célula, o embrião, o feto. A partir de certo momento da vida intra-uterina, já teremos capacidade para pensar. Que mundo fantástico! parece planctòn, sou um ente em suspenção na minha placenta. Tenho um cordão umbilical, não espero nada mais, sou puro! Sou perfeito!! Mas isto está a ficar pequeno, pequeno demais para mim e o meu crescimento. Meu Deus, será isto o fim? Mas não, vejo uma luz brilhante, estou atónito, não tenho para onde fugir. Já não estou em suspensão e ahhh!!!! Saí!!! Caminhei para a luz e estou fora do meu mundo.

O nascimento não é muito diferente da morte e do pós-morte. Quando chegar a minha hora, este mundo será demasiado pequeno para mim, começo a ver uma luz brilhante e o meu futuro ex-mundo está cada vez mais longe, olho para trás e já só é um ponto preto, cada vez mais pequeno e ahhh!!!!

Foi o pai de Lhasa de Sela que tem esta teoria, aproximadamente. Está cantada em "Soon this space will be too small" do seu album "Living Road".




Estou curioso mas não estou ansioso...




P.S: Afinal entrei nas tretas transcendentais do pós-morte, porquê? Porque sou humano e não consigo parar de pensar

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Como que em câmara-lenta

À noite a pupila dilata-se
Fico mais vivo
Pessoas passam na rua
Ouvem-se os passos
Começa a chover,
o instinto diz que me abrigue
Oiço gritos, não sou o único
Pessoas procuram abrigar-se
Um velho não se apressa
vai devagar, evitanto as poças de água
Duas jovens riem-se
uma ergue o seu casaco e correm
correm, procurando tecto
Os seus saltos altos ecoam
quase acima dos risos e vão cegas
pisam todas as poças
molhando-se ainda mais
rindo-se ainda mais
correndo ainda mais

Perco a noção do tempo
gotas de água escorrem-me pelo rosto
e caem desamparadas no chão
espargindo
Dando conta da minha imobilidade
Corro em busca de refúgio
Quando lá chego, pára a chuva
Apercebo-me que tenho um chapéu de chuva na mão...

Antes do crepúsculo

Dia: 23 / 09 / 2002
Hora: 06:34

Põe stop no discman ao se aproximar da soleira da porta. O som de Kid Loco, A Grand Love Story ainda lhe ecoava nos ouvidos enquanto introduzia a chave na fechadura o mais silenciosamente possível, achando até estar a fazer um novo recorde de abrir e fechar a porta sem ruído.

A escuridão atordoa-lhe ao princípio, devido à ausência da lua cheia que estava lá fora, mas aos apalpões encontrou o seu quarto. Ligou a luz com firmeza e começa o ritual de mais uma longa noite (another late night) que já se tornava um hábito.

Começa por tirar o chapéu azul impermeável que foi útil para os aguaceiros nocturnos. De seguida tirou o discman e casaco bèje. Tirou a roupa toda excepto os boxers e as meias e pôs-se a pensar, com os olhos fixos no armário de livros que tinha ao lado da cama.

Repentinamente, viu que o livro de pensamentos, o confidente de capa escarlate, o futuro livro de memórias...e decidiu escrever algo, pois já não o fazia à um tempo. Mas alguns obstáculos se prespectivavam: não tinha caneta e o livro estava fechado à chave no armário. Assim o eram devido à necessidade de silêncio no decorrer de toda a operação.

Começou por abrir a primeira gaveta da sua mesa de cabeceira para procurar uma caneta. Sem ruído, encontrou uma que nunca tinha visto, nem sabia que tinha: branca e amarela, propaganda médica.

Logo em seguida, retirou a chave do armário, que estava enfiada numa das portas e inseriu-a cuidadosamente na porta que encerrava o dito livro. Chave essa que tinha pendurado outro artefacto de propaganda médica, um proteus peluche cor-de-laranja.

No momento do clique da abertura da porta, tossiu para abafar o som e retirou o livro vermelho. Calmamente, deitou-se na cama e escreveu este texto, lembrando-se do Fabuloso Destino de Amèlie Poulain, filme que tinha acabado de ver perto das 6.00, ecoando-lhe na cabeça ainda Kid Loco.

Lembrando o ano desastroso em termos académicos, o Sudoeste e um bom final para este infindável e aparentemente enfadonho texto... (suspiro).

Dia: 23 /09 /2002
Hora: 7.00

A espontaniedade do fascínio Posted by Hello